terça-feira, 22 de novembro de 2011

                                                FILME PRECIOSA

O filme conta a história da garota Clareece Precious (Gabourey Sidibe), 16 anos, grávida do seu segundo filho e constantemente abusada verbalmente pela mãe e sexualmente pelo pai.
A temática do filme já é bastante pesada. Pensar numa garota monstruosamente gorda, negra, pobre e moradora do subúrbio americano já é pensar em diversos problemas sociais. Impressionamos-nos mais ainda quando vemos em cena Sidibe como a protagonista, com cara de poucos amigos, mas ao mesmo tempo de uma infantilidade que não condiz com sua condição de mãe. É o contraponto e a realidade que nós do Brasil conhecemos bem: preta, pobre e sem perspectivas de vida, o que fazer então para continuar vivendo?
A própria Precious já pensou na morte – e quem não pensaria? A realidade desgraçada dela ainda é pior se analisada à luz de sua relação materna. A mãe da protagonista é interpretada com assustadora realidade pela comediante Mo´Nique, uma atuação que rouba todos os holofotes. É nela que vemos refletida um sistema social e econômico bárbaro, a personificação de todos os erros do capitalismo. O ambiente em que Precious vive, portanto, é o pior possível. Na escola, ela não encontra nada. Na rua, só desprezo e solidão. Em casa, só o que salva são seus sonhos e a televisão.
Para tentar suavizar toda essa camada grossa de crueldade, o diretor Lee Daniels apostou em contrapontos de cena, ou seja, ao mostrar alguma coisa ruim que acontece com Precious, ele mostra ao mesmo tempo os sonhos da garota. Por um lado funciona, mas como isso se repete inúmeras vezes, torna-se um recurso enfadonho e cansa espectador. A “suavizada” de Daniels funciona, porém, quando estamos diante da relação entre Precious e Sra. Rain, a professora interpretada por Paula Patton. Ela se sai muito bem, não parece se esforçar para demonstrar carinho nem eficiência em seu posto de mentora para a jovem.
O roteiro escorrega em alguns momentos e passa a explorar em demasia diálogos que não vão a lugar algum. Assim a história fica um pouco chata, repetitiva, pois os acontecimentos simplesmente não se desenrolam. Repare nos diálogos com a assistente social interpretada por Mariah Carey. Elas conversam, falam, dialogam e nada. O “nada” vai a “lugar algum”. Somente no final, na última cena, Carey mostra a que veio. Mesmo assim, ela força muito a barra para conseguir dar uma clareza e realidade à sua personagem – e o pior é quando ela é posta na mesma cena que Mo´nique, justo a cena que dará o Oscar à atriz.

Mesmo com um desfecho coerente e esperançoso – depois de tanta realidade nua e crua, o que esperar, não é verdade? -, a impressão muitas vezes é que estamos diante de um programa de Oprah Winfrey. Com depoimentos longos e choros descompensados, “Preciosa” flui, em diversos momentos, como se estivéssemos vendo uma das milhares de entrevistas sensacionalistas da estrela da TV americana. Ainda bem que é só em alguns instantes.


                                         Poemas:
Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...




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Gonçalves Dias!
Debruçada nas águas dum rgato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!

"Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"

Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"




                   
Biografia
Dyonélio Machado
Dyonélio Tubino Machado
Nasceu em Quarai, RS, em 21/08/1895. Político, médico escritor, jornalista e poeta, foi um dos expoentes da segunda geração do Modernismo no Brasil. Aos 12 anos já trabalhava no semanário O Quaraí, onde teve seus primeiros contatos com a imprensa. Em 1911 fundou fundou um jornal com o titulo O Martelo, anunciando suas inclinações pelo comunismo. Em 1929 formou-se médico e ingressou na psicanálise, constituindo-se num dos responsáveis pela sua divulgação no Rio Grande do Sul. Em 1934 traduziu a obra Elementos de psicanálse, de Eduardo Weiss, livro fundamental na área. O interesse pela literatura surge por esta época, tendo seu primeiro livro de contos – Um pobre homem – publicado em 1927. Sua obra não é vasta, porém é bastante significativa: Os ratos (1935), tido como sua obra-prima e O louco do Catí (1942) são romances enigmáticos estudados até hoje e considerados como clássicos da literatura brasileira. Sua obra foi apenas reconhecida tardiamente, tendo recebido destaque nos meios acadêmicos apenas a partir da década de 1990. O psicológico está bastante enraigado em sua obra, como deixam transparecer O louco do Cati e Os ratos. Foi ainda um dos fundadores da Associação Rio-grandense de Imprensa (ARI) e, mais tarde, colaborador dos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias, da capital gaúcha. Em 1946, com Décio Freitas, fundou o jornal Tribuna Gaúcha, porta-voz do Partido Comunista Brasileiro. A militância política tornou-se uma extensão de suas atividades como médico e escritor. Membro dedicado do PCB, em 1935 foi acusado de atentar contra a ordem política e social ao trabalhar para a realização de uma greve de gráficos. Solto mediante sursis, voltou a ser preso no mesmo ano, por ocasião da Intentona Comunista. Suas posições ideológicas  custaram-lhe dois anos de sua vida, passados em prisões políticas. Mas suas convicções de homem de esquerda não ficaram abaladas com estes fatos. Tanto é que, em 1947, com o PCB na legalidade, ele se elegeu deputado estadual pelo partido e se tornou líder da sua bancada na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Outros livros:  Desolação (1942), Passos perdidos (1946), Deuses esconômicos(1966), Endiabrados (1980), Sol subterrâneo (1980),  Fada (1981) eO estadista (1982). Faleceu em 19/06/1985
  
                              
                                                                      OS RATOS

Os Ratos é um romance brasileiro,Que é escrito por Dyonelio Machado e publicado em 1935.
Consta que o livro nasceu de um pesadelo relatado a Dyonelio por sua mãe. Conta a história de um pobre "barnabé", Naziazeno Barbosa, que perambula um dia inteiro pelo centrode Porto Alegre em busca de algum dinheiro para saldar uma dívida. A trama se passa em aproximadamente vinte e quatro horas e descreve detalhadamente as perspectivas,angústiasesperanças e desilusões do personagem durante este tempo.
É por meio do personagem Naziazeno que Dyonélio Machado transmite sua crítica à sociedade, dominada pela influência do dinheiro, ao mostrar de forma angustiante um drama urbano de incomum verossimilhança com uma parcela da população, à mercê de dívidas, sendo assim obrigados a recorrer a empréstimos e agiotas .
Dyonélio também critica a ineficiência das instituições públicas brasileiras. Em uma passagem da obra, é mencionado que Naziazeno, funcionário público da Divisão de Levantamento de Faturas, não hesita em deixar as faturas pelo menos dez meses atrasadas, argumentando que não é um serviço que precisa estar em dia.
Os Ratos é, aparentemente, uma trama simples, trivial. No entanto, a obra relata muito mais que a história de um homem e sua dívida, ao exibir uma crítica social sutil, mas eficiente. Este é o grande feito do livro - induzir à reflexão.
Os Ratos tornou-se uma das obras mais influentes da segunda geração do modernismo no Brasil, e recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Foi escrito no momento em que se projetava no país a prosa regionalista, de ambientação rural. Segundo a crítica de José Paulo Paes, Dyonélio Machado "se demora na reconstituição minuciosa das pequenas misérias e frustrações do cotidiano".

Naziazeno é um reles funcionário público que dispõe de apenas um dia para pagar a dívida com o leiteiro do bairro, que o intima a liquidar suas contas atrasadas sob ameaça de corte no fornecimento de leite. Então, ele pega o bonde que leva à repartição onde trabalha e onde planeja pedir dinheiro emprestado ao diretor da repartição, seu chefe, e recorrer ao amigo Duque.
Quando chega à repartição, seus planos vão por terra: não consegue encontrar o chefe nem seu amigo Duque. Quando finalmente defronta-se com o chefe, este recusa-se emprestar a quantia, agravando ainda mais sua condição psicológica. Angustiado, Naziazeno consegue algum dinheiro emprestado para apostar na roleta. Ao chegar no cassino, Naziazeno pensa em apostar em apenas um número, porém se arrepende, e acaba apostando em cinco números diferentes, incluindo o que estava disposto a apostar. Por azar, o resultado acaba sendo bem aquele que ele iria apostar sozinho e, em vez dos cento e setenta e cinco mil-réis que teria ganho se tivesse apostado em um único número, ele ganha quinze mil-réis; guarda dez no bolso e pega cinco, com os quais compra mais fichas de aposta, na esperança de multiplicar seus ganhos. Porém, ele perde tudo.
No fim do dia, encontra os amigos Alcides e Duque, e os três procuram casas de agiotas, sem sucesso. Duque convence Alcides, que possui um anel penhorado com um agiota, a reavê-lo e renovar a penhora com outro agiota. Porém, para recuperar o anel, o trio é levado a fazer um empréstimo com outro agiota, Mondina.
Com o anel em mãos, Naziazeno e Alcides são instruídos por Duque a procurar Dupasquier, um comerciante de ouro. Mas conselho de Duque não logra êxito, já que Dupasquier trabalha apenas com venda, não com penhora. Quando finalmente os três conseguem negociar o penhor do objeto, e conseguem o dinheiro, Naziazeno chega em casa, exausto, e pensa e repensa o dia que passara, em estado psicológico abalado e de crescente angústia. O clímax da paranóia chega à forma de uma alucinação: seu subconsciente devaneia uma legião crescente de ratos que, com o passar do tempo, roem o dinheiro que obtivera, reduzindo-o a migalhas. Ele fantasia ouvir o barulho dos ratos na cozinha, nos pratos, naspanelas, na mesa.
De repente, tudo fica em silêncio, e Naziazeno se dá conta que está sentado na cama, ao lado de sua mulher, Adelaide. Ele fica insone por horas a fio, até o amanhecer. Naziazeno só dorme após perceber o leite sendo deixado à porta de sua casa.


sexta-feira, 29 de julho de 2011



“Sabe esses dias que tu acordar de ressaca, muito louco doidão.”
(Mr. Catra)



sentimentalsou:
é incrível como as pessoas partem seu coração , e você ainda consegue amá-los com todos os pedaços partidos !